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BRIEF 6/2025 | Mesa-Redonda – Ambiente: A ação climática entre agendas nacionalistas e tensões geopolíticas

30-12-2025

A BRIEF Ambiente: A ação climática entre agendas nacionalistas e tensões geopolíticas resume as ideias debatidas na mesa-redonda realizada em outubro de 2025 no Palácio Pimenta, em Lisboa. Consulte a publicação aqui.

Entre as mensagens-chave do debate, salienta-se que:

  • A crise ambiental e climática, que está no centro da policrise em que o mundo se encontra, exige uma redefinição urgente das prioridades políticas, económicas e civilizacionais, uma vez que estas são questões que se interligam com as dinâmicas geopolíticas, tecnológicas, sociais. A resposta não virá apenas da diplomacia ou da ciência e tecnologia, mas de lideranças conscientes e integradas, capazes de perceber que não há economias fortes num planeta adverso ou destruído.
  • Os efeitos das alterações climáticas agravam desigualdades mundiais. Se não existir cooperação entre países e povos, quer para implementar modelos de desenvolvimento sustentáveis quer para apoiar os países do Sul Global na mitigação e adaptação, com a mobilização efetiva dos recursos internacionalmente acordados, muito dificilmente será possível uma transição equitativa que permita progredir com a urgência necessária.
  • Continuamos, em boa medida, a viver em paradigmas já ultrapassados e soluções convencionais, nas sociedades, nas economias e nas instituições, mas não podemos tentar construir o futuro com as mesmas ferramentas e formas de pensar. Precisamos de uma Nature Politics: uma política que coloque a Natureza no centro, enquanto aliada e parceira efetiva no mundo que estamos a construir (incluindo a valoração do capital natural como ativo fundamental, a aplicação da economia regenerativa e circular, etc.)
  • Tudo isto acontece numa altura em que o multilateralismo e a própria ideia de desenvolvimento sustentável parece estar a ser posta em causa. No âmbito da ação ambiental e climática, importa referir o contexto adverso na União Europeia, que se traduz nas políticas europeias a nível interno e no posicionamento à escala global – verificando-se um recuo no que foi estabelecido pelo Pacto Ecológico e nas políticas e legislação ambientais, bem como perda de competitividade global, designadamente no plano da produção científica transformativa. A UE deve encontrar o seu caminho e visão estratégica, podendo trazer novas soluções para os desafios em curso, designadamente no âmbito da regulação, das políticas colaborativas com a Natureza, da ciência aberta e das redes de partilha de conhecimento plural.
  • É preciso integrar devidamente e transversalmente a ciência nas políticas. As universidades devem restruturar a sua resposta quer na formação de competências para a sustentabilidade quer na área da inovação, de forma a aproveitar, de forma estruturada e estratégica, a investigação para a sociedade e para a economia.
  • São necessários modelos de governança diferentes, soluções territorializadas e redes colaborativas, com enfoque nos cidadãos e nas comunidades. É preciso olhar para as necessidades das pessoas, o que elas precisam e ouvi-las realmente, incorporando isso nas políticas e no processo decisório. É também necessário investir mais na consciencialização e diálogo com os cidadãos, com vista a uma cidadania participativa e consciente.

Na mesa-redonda, participaram 25 convidados que trabalham sobre estes temas e/ou são especialistas nos mesmos, de diversos quadrantes e setores (decisores políticos e quadros técnicos, académicos, membros da sociedade civil), tendo refletido conjuntamente sobre os desafios, ameaças e respostas globais nesta temática. O debate, que se realizou segundo a regra de Chatham House, contou com uma introdução ao tema por Kalil Cury Filho.

O debate foi uma iniciativa do Clube de Lisboa em parceria com a Plataforma para o Crescimento Sustentável e a Universidade Autónoma de Lisboa, no âmbito do projeto Desafios Globais para o Desenvolvimento, cofinanciado pelo Camões I.P.

 

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