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Timor-Leste e Austrália ratifcam acordo de fronteiras em agosto

25-06-2019

O novo tratado das fronteiras marítimas entre os dois países será ratificado a 30 de agosto, revelou Xanana Gusmão, esta terça-feira em Lisboa, à margem da conferência “Fragilidade dos Estados”.

“Foi um trabalho duro, intenso não só por cada poço de petróleo mas com cada companhia [petrolífera] envolvida e com a própria Austrália”, explicou Xanana Gusmão, revelando que o novo tratado das fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália será ratificado a 30 de agosto. O anúncio foi feito pelo líder histórico timorense em Lisboa, à margem da conferência “Fragilidade dos Estados”, organizado pelo g7+ e pelo Clube de Lisboa.

A data – “já acertada com o governo australiano”, garantiu Xanana Gusmão – foi
escolhida para coincidir com o dia em que se celebram os 20 anos do referendo em
que o povo timorense se manifestou a favor da independência da Indonésia e
representa o fecho de um ciclo de quase duas décadas de polémicas, protestos e
intensas negociações que se prolonga desde a restauração da independência, a 20 de
maio de 2002, período que acabou por marcar negativamente a relação entre os dois
Estados.

Durante a conferência, em que também participaram Luís Amado e Jorge Moreira da
Silva, Xanana Gusmão deixou críticas à comunidade internacional e à ajuda que dão a
países em vias de desenvolvimento, como os que fazem parte da organização do g7+:
“A comunidade internacional está a olhar para os países em vias de desenvolvimento,
em construção, e quer que sigam os padrões internacionais, querem até que sejamos
melhores do que países já com dezenas de anos de democracia. Não veem as
características próprias de cada país”.

Mas não foi a única crítica lançada pelo líder timorense que colocou em evidência um
problema sentido pelos chamados países mais frágeis, em situação de pós-conflito,
como os 20 países que fazem parte do g7+.

“Por causas desses apoios, ficamos com uma sensação de dependência o que não nos
ajuda a crescer em termos de fazer planos estratégicos de desenvolvimento”, afirmou
o ex-Presidente timorense, após defender uma gestão dos recursos naturais “com
transparência e firmeza”.
E alertou: “É preciso resolver as causas dos problemas em vez de se olhar apenas para
as consequências”. Pegando no caso timorense, Xanana Gusmão salientou a
importância da aprendizagem com a Noruega na criação do Fundo de Petróleo.

O ex-Presidente de Timor-Leste referiu outro momento determinante de
aprendizagem para o país. “Temos a sorte de termos sofrido 25 anos para sermos
independentes”, afirmou Xanana Gusmão que depois explicou o porquê da “sorte”:
para além de apanharem a revolução digital já em marcha, foi tempo também de
olhar para os erros entretanto cometidos por outros países em situação semelhante e
evitar situações em que “países riquíssimos têm populações a viver na miséria”.

Reconhecendo que ainda há um longo caminho a percorrer no desenvolvimento de
Timor-Leste, Xanana Gusmão afirmou que esse é um processo para fazer sem pressas,
com passos seguros e seguindo planos estratégicos. Para tal, defendeu, são
necessárias instituições do Estado credíveis e a participação da sociedade – que “não
deve ficar demasiado agarrada aos seus interesses, pessoais ou de grupos”. Ou seja,
defendeu, “os interesses nacionais devem ser postos acima de tudo”.

Artigo publicado em Plataforma Media, 25.06.2019

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